domingo, 25 de junho de 2017

Guia curtíssimo de São Petersburgo: o que vale a pena ver!

Visitar os palácios é uma ambição de muitos que vem à São Petersburgo, mas que conselho pode dar o autor do blog "Russificando" para quem vem passar poucos dias na cidade?

São Petersburgo é uma cidade extremamente diversificada com um grande número de atrações, desde os modernos estádios da copa como a Arena Zenit, passando pelo parque da Ilha de Santa Cruz, pelos palácios históricos do Centro e de Pushkino e pela grande igreja de madeira que se tornou arquétipo daquela em Kiji, a cidade oferece muita coisa para ver.

Hoje preparei um jantar para um amigo de Fortaleza, combinamos de nos encontrar no metrô quando este voltasse do Palácio de Catarina II, e qual foi o resultado? Após passar 3 horas em uma fila, ele se deu conta de que há um ingresso para passear nos jardins e outro para entrar no palácio em si. Ao visitar o palácio, não teve nenhuma grande surpresa. O que podemos dizer a esse respeito?

É certo que nós "plebeus" normalmente não temos a chance de visitar grandes palácios suntuosos, ao visitar São Petersburgo, uma cidade cheia de palácios suntuosos, nos deparamos com essa possibilidade, porém, ao visitar um certo número de palácios, os palácios acabam ficando cansativos, tanto quanto a repetição neste parágrafo da palavra "palácio". Deste modo, aconselhamos visitar o Hermitage e o Museu Russo, em especial o prédio mais conhecido que é o Castelo da Engenharia (Castelo de São Miguel), antiga sede do governo do tzar. Exceto quando se trata da exposição da obra de algum pintor famoso, por exemplo Ayvazovskiy, geralmente as filas não são tão grandes quanto no Palácio de Catarina em fins de semana ou mesmo em Peterhoff. Podemos até dizer mais, se o seu roteiro inclui apenas ou 4 dias em São Petersburgo (em nossa opinião muito pouco), fazemos uma afirmação radical, não vale a pena visitar tais palácios! Caso se trate de uma viagem de uma semana ou mesmo 5 dias completos, é outra história, mas para uma viagem curta, não. E por quê?

São Petersburgo tem um grande número de atrações únicas no centro e nos subúrbios, algumas inclusive gratuitas. Aqui fazemos uma lista do que vale a pena ver e o que você encontrará nesses locais, nos quais vale a pena gastar horas:

1- Hermitage: Priorizar o Palácio de Inverno (Hermitage) é a melhor coisa que um visitante pode fazer, pois assim ele evita o risco de pegar um dia em reformas. Lembremos que a cada primeira quinta-feira do mês a entrada é de graça!
O Hermitage é composto de vários prédios, todos palácios, entretanto, ao contrário do Palácio de Yekaterina ou Peterhoff, que praticamente se referem exclusivamente aos gostos de tais monarcas, no Hermitage podemos ver o trono de Pedro, o Grande, o trono do último tzar da Rússia Nikolay II, o sarcófago (sem o corpo) do príncipe da Grande Novgorod Alexander Nevsky, em 2008 eleito o maior nome da Rússia numa enquete televisiva, além de achados arqueológicos do século XX a.c., tesouros do Império Bizantino, do Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, Rússia Medieval, Rússia dos Romanov, Rússia Soviética, Rússia contemporânea, África e mesmo obras de arte de grandes pintores capturadas da Alemanha nazista após a vitória comunista durante a IIGM. E tudo isso dentro de um, ou melhor, de vários palácios!
O tempo mínimo recomendado de visita ao Hermitage, contando apenas o prédio principal, é de 3 horas.

Image may contain: one or more people and outdoor


2- Museu Russo (Castelo de São Miguel): O museu russo foi uma criação do tzar Aleksandr III, ele foi uma resposta dos Romanov aos Tretyakov de Moscou, Tretyakov era um crente antigo, membro de uma seita de cismáticos que não aceita as mudanças introduzidas por Pedro, o Grande, na Igreja Ortodoxa Russa. A galeria de Tretyakov, um dos museus mais famosos de Moscou, reunia um grande acervo de pintores russos, enquanto o Hermitage reunia apenas obras de pintores estrangeiros. O tzar Alexander III reagiu criando o "Museu Russo" (em russo, o término é Russkiy Muziey, denotando o caráter referente aos russos étnicos). O museu tem várias filiais e possui dentro de si grandes exposições de arte russa referente a diversos períodos do país. O teto do museu, em especial do Castelo de São Miguel, torna fácil de entender a inspiração para a criação do design das estações de metrô.
Tempo mínimo recomendado: 2 horas



3- Museu Etnográfico Russo: Situado dentro de um palácio e bem no centro da cidade, numa rua paralela com a Avenida Nevsky, o museu etnográfico russo nos permite conhecer as vestes tradicionais de todos os povos da Rússia (mais de 150 nações diferentes), uma excelente representação das tradições milenares dos povos que há anos habitam o mesmo território.
Tempo mínimo recomendado: 2 horas




4- Parque florestal Nevsky/Sítio arquitetônico de Bogoslovka: Situado a 30min de ônibus da estação de metrô Lomonosovskaya, dedicada ao pai da ciência russa, é visitado por um grande número de estrangeiros em fins de semana, por ironia do destino, é desconhecido por um grande número de petersburguenses. A Igreja da Intercessão da Virgem Maria, assim como todo o complexo ao seu redor, é parte de um projeto arquitetônico etnográfico construído inteiramente em madeira. A igreja, a propósito, é toda feita em madeira, como aquela de Kiji, patrimônio da Unesco, na Karélia, mais ao norte. Ela na verdade, foi originalmente construída 7 anos antes da de Kiji, no século XVIII. A má notícia, é que a igreja do local na realidade é uma reconstrução da original, que pegou fogo nos anos 60, reconstruída com a ajuda da tecnologia moderna. A igreja não utiliza um único prego em sua composição. O valor da entrada é gratuito.

A maior vantagem desta igreja é que ela mantém a pintura tradicional ortodoxa russa. Igrejas como a Catedral de Santo Isaque (hoje misto de museu e capela ortodoxa) e a de Nossa Senhora de Kazan trazem ícones pintados do modo ocidental, aliás, a arquitetura das próprias igrejas nenhuma relação tem com a ortodoxia tradicional, sendo uma cópia da Basílica de São Pedro do Vaticano. Os Romanov, obcecados pelo Ocidente, por pouco não adotaram o catolicismo romano, então deram o seu jeito, criando igrejas baseadas em parâmetros ocidentais, tendência essa que seria revertida a partir do reinado do tzar Aleksandr III.

Tempo mínimo recomendado: 1 hora



5- Catedral do Sangue Derramado: essa igreja é bastante jovem em relação a outras de São Petersburgo, inaugurada no século XX, ela é a única catedral ortodoxa que apresenta a pintura dos ícones pelo lado externo da catedral.
A igreja, foi construída num período de rerrussificação da Rússia, os últimos Romanov sabiam que haviam se afastado demasiadamente da população, enfrentavam um grande número de protestos populares, então inauguraram o Museu Russo e construíram catedrais como a do Sangue Derramado, que se baseia na Catedral de São Basílio. Visitar o interior da Igreja é como ler uma Bíblia ilustrada, os seus principais momentos estão ilustrados em fantásticas pinturas. Não é boa ideia visitá-la em final de semana, pois as filas costumam ser imensas. Explorar todos os ângulos da catedral para fazer uma foto pode ser uma boa ideia. Ao lado dela há um mercado de suvenires muito famoso. Também está situada em frente a um dos prédios do Museu Russo.

Tempo mínimo recomendado: 1h30min





NOTA DO AUTOR: Além desses lugares há pontos históricos com mais de 200 anos em suas adjacências, situados a cerca de 15min a pé, estes são os jardins de Alexandrov, Campo de Marte e Jardim de Verão (até o século XIX todos eram apenas um, são mencionados na obra Crime e Castigo), os jardins da Nova Holanda, nos tempos de Pedro, o Grande, faziam parte de um grande porto que ia até o Almirantado, lá eram construídos os navios nos tempos do fundador da cidade, além de vários outros pontos.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Minha entrevista para a Rádio Jovem Pan

Nossa entrevista para a Rádio Jovem Pan do Brasil sobre a vida na Rússia, da perspectiva do país do futebol sobre o país da Copa 2018.

https://soundcloud.com/ranieri_andre/especial-russia-parte-i

Palácio de Inverno, um palácio para todos


Você sabia que toda primeira quinta-feira do mês a entrada no maior museu do mundo, o Hermitage é de graça? Esses aí na fila sabem disso muito bem!

Image may contain: one or more people and outdoor

Um domingo chuvoso na Rússia (fotorreportagem)

Por Cristiano Alves
Fotos: Dmitriy Saulin

Neste de domingo me encontrei com meu grande amigo Andrey, no Parque da Vitória, a quem geralmente me refiro pelo sobrenome (conquanto um camarada nosso tem o mesmo nome). Na Rússia não é considerado cortês chamar as pessoas pelo sobrenome, porém eu gosto da prática por conhecer os grandes nomes históricos pelo seu sobrenome. Andrey possui sobrenome cossaco, por ser descendente deles, o que, a propósito, lhe dá o direito de portar espadas com fio em lugares públicos pela legislação vigente russa.

Image may contain: one or more people, people standing, sky, tree, outdoor and nature

Conquanto estava um dia chuvoso, isto é, com uma leve garoa, Andrey se admirou por eu não levar guarda-chuvas, respondi que preferia usar capa, pois os ventos petersburguenses mandam todos para a lata do lixo, como vi muitas vezes no bairro Litorâneo em dias chuvosos. Nosso encontro se deu no bairro Moscovita, ao sul de São Petersburgo, meu bairro favorito por causa da arquitetura típica soviética. Nesse bairro me sinto como em Moscou, a antiga capital da União Soviética.
Conversamos um pouco sobre a fé ortodoxa e visitamos uma capela no centro do parque, lá um padre conversava com moradores locais. Ao sairmos da capela, conversávamos sobre o Parque, no qual por muitos anos funcionou um crematório dos mortos de fome durante o Cerco de Leningrado. A grande quantidade de cadáveres pútridos da cidade, mais de 1 milhão de mortos, ameaçava a saúde dos sobreviventes da cidade. O Parque da Vitória foi construído onde funcionava o crematório. Hoje lá há um lago no qual casais e famílias navegam romanticamente em barquinhos, além de monumentos a heróis comunistas como Júkov e Zoya Kosmodemyanskaya, todos lado a lado com a capela da Igreja Ortodoxa Russa.

Image may contain: one or more people, people standing, tree, sky, plant, outdoor and nature No automatic alt text available.

Com o dia chuvoso, fomos tomar uma cerveja, apesar do pouco tempo, pois combinei um encontro com uma amiga, não pudemos sair tomando cerveja pelo parque, pois isso pode gerar problemas com a polícia, tomar álcool só é permitido nas dependências do restaurante no parque. A conversa foi bem animada, pois antes da cerveja, havia tomado um pouco de vodka para me soltar numa futura aula de dança. Era hora de lazer, ao contrário das quartas e sextas, dias em que geralmente observo um jejum rigoroso que exclui qualquer tipo de álcool ou carnes.

Image may contain: 1 person, standing, tree, outdoor and nature Image may contain: one or more people, people sitting, drink, phone and outdoor

Seguimos do metrô Parque da Vitória (Park Pobedy) até o metrô da Praça da Insurreição (Ploschad Vosstaniya), onde encontrei a minha amiga, então nos apressamos para uma aula de forró. Não foi muito fácil encontrarmos a entrada do clube, pois os prédios da Rússia costumam ser muito largos, o que é bonito esteticamente, porém não torna fácil a tarefa de encontrar a entrada certa para um dos mais diversos estabelecimentos que funciona em tal prédio, algo como encontrar uma loja em um grande centro comercial brasileiro.

Image may contain: one or more people and suitImage may contain: one or more people, people standing, shoes, indoor and outdoor

Ao encontrar o local, partimos para a aula, convidei Andrey, que não quis dançar, talvez pela falta de mulheres na aula, fenômeno raro em aulas de dança, ainda bem que convidei Lizavyeta, a minha amiga. Na Rússia, em aulas de dança, geralmente as pessoas dançam com todos os presentes. 
O professor, um petersburguense, tinha uma barba típica de mujique russo, falava bem o português, ele, apesar de sério à primeira vista, era muito generoso, atencioso, ao final da aula, pedi para ele dançar com uma de suas alunas o "Pagode russo", então ele explicou para os alunos por que eu pedi essa música, contou a todos que sempre que ia a um concerto de forró no Brasil, alguém fazia questão de pedir ao sanfoneiro que tocasse essa música em homenagem à presença dele.

Image may contain: one or more people, people standing, shoes and indoorImage may contain: one or more people, people dancing, people standing, shoes and indoorImage may contain: one or more people, people standing, hat, child and outdoor

No automatic alt text available.Image may contain: one or more people, people standing, hat and childImage may contain: one or more people