domingo, 2 de setembro de 2018

Maria Oktyabrskaya: a mulher comprou e pilotou um tanque para combater o fascismo

Pelo Clube Militar Patriótico de Reencenação "Komsomolets" (São Petersburgo)
Tradução: Cristiano Alves

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Mariya Oktyabrskaya
No famoso videojogo russo "Warthunder" existe uma inscrição que pode ser adicionada ao seu tanque, "Боевая Подруга", ou "Amiga combatente". Você faz ideia do que ela significa?

Há 113 anos atrás, 16 de agosto de 1905, nasceu Mariya Vassilyevna Oktyabrskaya, tanquista soviética, sargento da guarda, mecânica-chofer do tanque "Amiga de batalha", construído com seus próprios recursos. Herói da União Soviética (póstumo).

Nasceu na vila de Kiyat (hoje vila de Blijneye Krasnogvardeyskogo, Crimeia) em família camponesa. Na infância e na juventude Mariya esteve em Sevastopol. Em 1921 ela se mudou de Djanka, onde terminou a 6 série, e depois Simferopol. Trabalhou numa fábrica de conservas em Simferopol, como telefonista em uma estação de telefones. Em 1925 casou-se com o aluno da escola de cavalaria Iliya Fyodotovich Ryadnenko, do marido recebeu o sobrenome "Oktyabrskaya" (de Outubro). Devido local de serviço do marido, se mudou para diferentes pontos da Ucrânia, foi eleita para o soviete local de mulheres, terminou o curso de medicina, chofer, aprendeu a atirar de metralhadora. No verão de 1940, quando se deu a integração da Bessarábia à URSS, junto com o marido, comissário do 134 Regimento de artilharia de obuseiros se mudou para Kishinyov, no local de deslocamento do regimento.

No dia seguinte, após o início da guerra, em 23 de junho de 1941, M. V. Oktyabrskaya, junto com a irmã e outros membros das famílias de comandantes foram evacuadas e em agosto já estava em Tomsk, onde trabalhou como telefonista e numa escola de artilharia evacuada de Leningrado.

No final do verão de 1941 ela foi ao enterro de seu marido, comunicou que "o comissário de regimento Ilya Fyodotovich Oktyabrskiy morreu bravamente em 9 de agosto de 1941 em um dos combates na Ucrânia".O comissário de regimento da 206 Divisão de Atiradores I. F. Oktyabrskiy foi ferido numa rajada de metralhadora, enquanto liderava os combatentes ao ataque num dos combates em torno de Kiev. Ao saber do destino de seu marido do front, Mariya Vassilyevna se dirigiu ao comissariado militar com o pedido de ir ao front, mas várias vezes negaram o pedido por causa de uma doença, tuberculose na região do pescoço, bem como por sua idade avançada, 36 anos.

Então ela buscou outro caminho. Na época da URSS, havia muitas doações para o fundo de defesa. Junto com a irmã, ela vendeu todas as coisas de valor e durante alguns meses ela fazia costuras, ela levantou 50 mil rublos para construir um tanque T-34. Depois disso ela enviou ao Kremlin o seguinte telegrama:

"Moscou, Kremlin. Para o Presidente do Comitê Estatal de Defesa. Comandante Supremo

Caro Iossif Vissaryonovitch!

Em combate pela Pátria tombou o meu marido, o comissário de regimento Ilya Fyodotovitch. Pela sua morte, pela morte de todos os soviéticos, torturados pelos bárbaros fascistas, eu quero vingar-me dos cães fascistas, para isso eu depositei no banco do Estado, com o fim de construir um carro de combate, 50 mil rublos. Quero que ele se chame "Amiga combatente" e me envie ao front como condutora desse tanque. Tenho a especialidade de chofer, sou ótima com uma metralhadora, sou uma Atiradora de Voroshilov (Título dado a atiradores exímios).

Envio-vos saudações calorosas e desejo saúde, longos anos aterrorizando os inimigos e glória à nossa Pátria.

"OKTYABRSKAYA Maria Vassilyevna. 
Tomsk, Belinskogo, 31"

Stalin respondeu assim:

"Tomsk, rua Belinskogo, 31 
cam. OKTYABRSKAYA Mariya Vassilyevna

Agradeço-vos, Mariya Vassilyevna, pela sua preocupação com as forças blindadas do Exército Vermelho. 
Seu desejo será cumprido. 
Receba os meus cumprimentos.

I. Stalin"

Desde 3 de maio de 1943 Mariya Oktyabrskaya passou a estudar a condução de tanques na escola de tanques de Omsk, tornando-se a primeira mulher condutora e mecânica de tanques do país, e a partir de outubro de 1943, ela já lutava em seu tanque na Frente Ocidental. A primeira tripulação do tanque T-34 era composta pelos militares: aspirante e comandante da guarda Pyotr Tchebotko, atirador de torre sargento Gennadiy Yasko, atirador-radista Mihail Galkin, mecânica-condutora do 2om Batalhão da 26a. Brigada de Tanques da Guarda Mariya Oktyabrskaya.

Em combate nas vilas de Novoye Selo na região de Lioznenskogo na região de Vitebsk, em 18 de novembro de 1943 o tanque "Amiga Combatente" (Boyevaya podruga) atacou as defesas do inimigo, por um tanque e cerca de 50 soldados e oficiais alemães. Nessa batalha o tanque foi destruído. Apesar dos ferimentos, M. V. Oktyabrskaya continuou a combater por 2 dias no tanque destruído sob o fogo e ataques do inimigo, e então foi enviada para a enfermaria. O comandante do batalhão de blindados disse à sua tripulação para tomar o seu exemplo: "Lute como a tanquista da "Amiga de combate". Só no dia de hoje, a tripulação desse glorioso carro destruiu um pelotão de bandidos hitleristas.

Em 18 de janeiro de 1944 na região da estação de Krynki, na região de Vitebsk M. V. Oktyabrskaya com o seu tanque eliminou 3 ninhos de metralhadora e até 20 soldados e oficiais inimigos. O tanque "Amiga combatente" foi atingido por uma granada na lagarta esquerda. A mecânica Oktyabrskaya, sob fogo tentou efetuar o reparo, mas o estilhaço de uma granada que explodiu nas proximidades a feriu no olho.

Em 28 de janeiro de 1944, M. V. Oktyabrskaya recebeu a Ordem da Guerra Patriótica de II classe.

No hospital de campanha № 478 fizeram uma operação nela, mas depois ela foi levada ao hospital do front em Smolensk. O estado de saúde piorou, uma vez que o estilhaço atravessou o seu olho e chegou até o grande hemisfério cerebral. Oktyabrskaya vfoi visitada pelo membro do conselho militar do front L. Z. Mehlis, que deu a ordem para que ela fosse enviada a Moscou. Sua últiam visita foi do major Topok, que chegou a conferir-lhe a Ordem da Guerra Patriótica de I classe, e também presentes e cartas de seus camaradas.

Em 15 de março de 1944, Mariya Vassilyevna Oktyabrskaya faleceu no hospital do front em Smolensk. Foi enterrada com honras militares no Jardim Memorial dos Herois em Smolensk.

Em 2 de agosto de 1944, M. V. Oktyabrskaya recebeu o título de Heroi da União Soviética (póstumo). No encerramento da folha de condecoração escreveu o comandante da 26a. Brigada de Tanques da Guarda, o coronel S. K. Nesterov: "No período das operações militares a cam. Oktyabrskaya, com amor e preocupação cuidou do seu carro. O seu tanque não teve paradas forçadas e avarias. A cam. Oktyabrskaya adquiriu o tanque a ela confiado com o intuito de vingar-se dos facistas e da morte de seu marido. A cam. Oktyabrskaya é valente, um combatente destemido".

O tanque "Boyevaya Podruga" continuou em condições de batalha até a Vitória. A nova tripulação passou por 3 tanques incendiados e no quarto foi até Königsberg (hoje Kaliningrado) no mar Báltico. Em cada novo carro, em honra à heroína tombada, os tanquistas pintavam as palavras "Amiga combatente" (Boyevaya Podruga).

Aberta a temporada de caça à aurora boreal!

Fazendo uso de suas funções enquanto canal e blog divulgador da cultura e da beleza da Rússia, o Canal Russificando declara oficialmente aberta a temporada de caça à aurora boreal! 

Foto: Aurora boreal sobre o lago Onega, na República da Karélia. Por Mihail Proskalov

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Um monumento do comunismo


Se existe um monumento que expressa toda a glória do período soviético e em especial a da Defesa Leningrado, este é sem dúvidas a estação de metrô Avtovo, em São Petersburgo. Considerada como a estação de metrô mais bela do mundo, a Estação Avtovo combina uma arquitetura baseada em padrões bizantinos, um mosaico e pilares adornados em cristal. Ela reflete a glória do sistema soviético e a galhardia dos defensores de Leningrado. 

A estação de metrô de São Petersburgo "Avtovo" encontra-se vizinha à parada de ônibus que leva o visitante da Cidade-Herói até o magnífico Parque-Palácio de Peterhoff, um lugar exuberante construído pelos monarquistas, arrasado pelos fascistas e reconstruído pelos comunistas.




Você já tomou suco de Romã?



O suco de romã é considerado um dos melhores afrodisíacos masculinos, segundo o povo do Azerbaijão, é muito bom para "regular a pressão".

São Petersburgo, a aldeia grande!


Geralmente se diz que São Petersburgo é uma "aldeia grande". Ao contrário do que acontece numa grande metrópole brasileira, o tamanho de São Petersburgo e os seus 6 milhões de habitantes não impedem que, por acaso, você veja aquele velho conhecido ou talvez mesmo o vizinho numa outra ponta da cidade ou em alguma sala do Hermitage. Assim aconteceu com Sylvie, uma jovem estudante de direito da Áustria e amiga do Instagram, com quem eventualmente encontrei-me ao chegar no famoso mercado de pulgas de Udelka, os seus dias mais movimentados são os fins de semana.

Udelka encontra-se na estação de metrô Udelnaya.

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O dia do conhecimento

O dia 1º de setembro, na Rússia, marca o Dia do Conhecimento, quando acabam-se as férias de verão e as crianças e adolescentes voltam às aulas. Neste dia as ruas estão sempre mais bonitas, com crianças com lindos penteados, belíssimos uniformes e muitas flores para os professores.

E você, já deu um presente para o seu professor?

domingo, 19 de agosto de 2018

Kuuterselka, um lugar da Rússia com nome finlandês

Reencenação história da Batalha de Kuuterselkya
Fotos: Mihail Roskin

Kuuterselkya (nome finlandês) hoje é um resort em torno da cidade construída pelos vikings chamada Vyborg, uma cidade russa com uma história única, ela fez parte de pelo menos três Estados, o sueco, primeiramente, o russo, o finlandês, o soviético e novamente o russo.

A estrada até Kuuterselkya traduz a calmaria do local, uma estrada boa, mas estreita, cheia de florestas fechadas, pelo caminho os famosos "gribniki", ou seja, colhedores de cogumelos da floresta (quase como num conto de fadas). As florestas fechadas limitam a quantidade de luz solar e assim pode-se ver pinhos com musgo verde, dependendo da época também neblina. Mas essa calmaria foi abalada por muitos tiros num evento de reencenação.

A Batalha de Kuuterselkya foi uma batalha entre o Exército Vermelho e o Exército Finlandês para recuperar a zona norte do Distrito de Leningrado (que até hoje se chama assim) outrora obtida da Finlândia durante a Guerra de Inverno. Essa região tinha enorme importância estratégica para a defesa do polo industrial da URSS, a cidade de Leningrado, na qual encontra-se o gigantesco Complexo Industrial de Kirov (Kirovskiy Zavod). Ela terminou com a vitória dos comunistas, em 1944, as sucessivas derrotas da Finlândia levaram o país a negociar não apenas a paz como um tratado de aliança com a URSS. Pela primeira vez na história, um Estado beligerante passava de inimigo a um aliado. A Finlândia que lutou ao lado dos nazistas contra os comunistas (URSS) passou a lutar ao lado dos comunistas contra os nazistas.

A reencenação trouxe reencenadores do Exército Vermelho e do Exército Finlandês, ambos com reencenadores de diversos países, o "Exército Finlandês" era formado em sua quase totalidade por russos e um finlandês de Laapenranta, o Exército Vermelho era integrado por reencenadores russos, um americano, um brasileiro e até mesmo uma finlandesa, que alegou já ter sido chamada de "agente de Putin" por reencenar o Exército Soviético. A despeito disso, a finlandesa Alexandra alega que dentre as gerações mais jovens a atitude com a Rússia é melhor.

Na Batalha de Kuuterselkya, o Exército Vermelho utilizou o uniforme de 1943, a "gimnastyorka", conhecida por sua gola empinada, ele imita o traje típico do camponês russo e os mais modernos equipamentos, além da camuflagem "ameba", usada sobre o uniforme. O Exército Finlandês usou o uniforme do início da guerra, com capacetes alemães da I Guerra (os famosos chifrudos), italianos e britânicos (obtidos durante os anos 30). Muitos armamentos usados pela Finlândia eram os mesmos do Exército Vermelho, devido ao seu passado comum no Império Russo, quando integravam apenas um Estado. Eles utilizaram um grande número de minas terrestres na defesa de suas bases. Até hoje no local, são feitas escavações que localizam ecos da guerra.

Com uma metralhadora leve DP, foi usada pela URSS, Segunda República Espanhola, Alemanha nazista (troféu) e Finlândia (troféu) 
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Numa trincheira, reencenador russo em uniforme finlandês próximo de uma metralhadora DP 
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Avanço do Exército Vermelho

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Reencenadores do Exército Finlandês defendem as suas posições usando fuzil Mosin e submetralhadora Suomi

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Um engenheiro de assalto avança com o seu colete balístico e uma submetralhadora P