domingo, 2 de setembro de 2018

São Petersburgo, a aldeia grande!


Geralmente se diz que São Petersburgo é uma "aldeia grande". Ao contrário do que acontece numa grande metrópole brasileira, o tamanho de São Petersburgo e os seus 6 milhões de habitantes não impedem que, por acaso, você veja aquele velho conhecido ou talvez mesmo o vizinho numa outra ponta da cidade ou em alguma sala do Hermitage. Assim aconteceu com Sylvie, uma jovem estudante de direito da Áustria e amiga do Instagram, com quem eventualmente encontrei-me ao chegar no famoso mercado de pulgas de Udelka, os seus dias mais movimentados são os fins de semana.

Udelka encontra-se na estação de metrô Udelnaya.

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O dia do conhecimento

O dia 1º de setembro, na Rússia, marca o Dia do Conhecimento, quando acabam-se as férias de verão e as crianças e adolescentes voltam às aulas. Neste dia as ruas estão sempre mais bonitas, com crianças com lindos penteados, belíssimos uniformes e muitas flores para os professores.

E você, já deu um presente para o seu professor?

domingo, 19 de agosto de 2018

Kuuterselka, um lugar da Rússia com nome finlandês

Reencenação história da Batalha de Kuuterselkya
Fotos: Mihail Roskin

Kuuterselkya (nome finlandês) hoje é um resort em torno da cidade construída pelos vikings chamada Vyborg, uma cidade russa com uma história única, ela fez parte de pelo menos três Estados, o sueco, primeiramente, o russo, o finlandês, o soviético e novamente o russo.

A estrada até Kuuterselkya traduz a calmaria do local, uma estrada boa, mas estreita, cheia de florestas fechadas, pelo caminho os famosos "gribniki", ou seja, colhedores de cogumelos da floresta (quase como num conto de fadas). As florestas fechadas limitam a quantidade de luz solar e assim pode-se ver pinhos com musgo verde, dependendo da época também neblina. Mas essa calmaria foi abalada por muitos tiros num evento de reencenação.

A Batalha de Kuuterselkya foi uma batalha entre o Exército Vermelho e o Exército Finlandês para recuperar a zona norte do Distrito de Leningrado (que até hoje se chama assim) outrora obtida da Finlândia durante a Guerra de Inverno. Essa região tinha enorme importância estratégica para a defesa do polo industrial da URSS, a cidade de Leningrado, na qual encontra-se o gigantesco Complexo Industrial de Kirov (Kirovskiy Zavod). Ela terminou com a vitória dos comunistas, em 1944, as sucessivas derrotas da Finlândia levaram o país a negociar não apenas a paz como um tratado de aliança com a URSS. Pela primeira vez na história, um Estado beligerante passava de inimigo a um aliado. A Finlândia que lutou ao lado dos nazistas contra os comunistas (URSS) passou a lutar ao lado dos comunistas contra os nazistas.

A reencenação trouxe reencenadores do Exército Vermelho e do Exército Finlandês, ambos com reencenadores de diversos países, o "Exército Finlandês" era formado em sua quase totalidade por russos e um finlandês de Laapenranta, o Exército Vermelho era integrado por reencenadores russos, um americano, um brasileiro e até mesmo uma finlandesa, que alegou já ter sido chamada de "agente de Putin" por reencenar o Exército Soviético. A despeito disso, a finlandesa Alexandra alega que dentre as gerações mais jovens a atitude com a Rússia é melhor.

Na Batalha de Kuuterselkya, o Exército Vermelho utilizou o uniforme de 1943, a "gimnastyorka", conhecida por sua gola empinada, ele imita o traje típico do camponês russo e os mais modernos equipamentos, além da camuflagem "ameba", usada sobre o uniforme. O Exército Finlandês usou o uniforme do início da guerra, com capacetes alemães da I Guerra (os famosos chifrudos), italianos e britânicos (obtidos durante os anos 30). Muitos armamentos usados pela Finlândia eram os mesmos do Exército Vermelho, devido ao seu passado comum no Império Russo, quando integravam apenas um Estado. Eles utilizaram um grande número de minas terrestres na defesa de suas bases. Até hoje no local, são feitas escavações que localizam ecos da guerra.

Com uma metralhadora leve DP, foi usada pela URSS, Segunda República Espanhola, Alemanha nazista (troféu) e Finlândia (troféu) 
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Numa trincheira, reencenador russo em uniforme finlandês próximo de uma metralhadora DP 
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Avanço do Exército Vermelho

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Reencenadores do Exército Finlandês defendem as suas posições usando fuzil Mosin e submetralhadora Suomi

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Um engenheiro de assalto avança com o seu colete balístico e uma submetralhadora P










O Pica-Pau e a lenda da fundação de Nijniy Novgorod

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A cidade russa de Nijniy Novgorod foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2018. Vale destacar a riquíssima produção cultural da cidade durante este período, que fez de tudo para que os seus hóspedes tivessem como entretenimento não apenas a bola rolando em campo, mas também a história da cidade e de seus grandes escritores, em especial Maxim Gorkiy, cujo nome foi atribuído à cidade durante a Era Soviética.


Assim como Roma, Moscou e Constantinopla (hoje Istambul), a cidade de Nijniy Novgorod foi construída sobre colinas, nos famosos Montes do Pica-Pau (Dyatlovye gory). Esses montes levam esse nome por uma razão. 

Reza a lenda que há muitos atrás, havia um feiticeiro chamado Pica-Pau (Dyatel) que habitava esses montes. Em seu topo vivia um homem de muitos filhos e muitas esposas, um polígamo chamado Skvoryets, conta-se que ele era amigo do nefasto monstro mitológico conhecido como "Ladino Rouxinó", capaz de um assobio ensurdecedor que provocava um efeito sônico aos seus oponentes e objetos à sua frente, capaz de assustar e afastar mesmo um grande corcel, inimigo número um das caravanas comerciais que saíam ou se dirigiam a Kiev. 

Certa vez, preocupado com o seu futuro, Skvoryets dirigiu-se ao feiticeiro Pica-Pau, ele perguntou-lhe se aquelas terras seriam sempre dele e de seus filhos, ao que o feiticeiro Pica-Pau respondeu: "se eles permanecerem sempre unidos, se não houver dissensões entre eles, sim, porém, se eles entrarem em dissensão, eles perderão as suas terras". Assim, os filhos de Skvoryets, o povo mordóvio, envolveu-se em escaramuças e dissensões e conflitos entre si. Mas, assim como profetizado pelo feiticeiro Pica-pau, os mordóvios caíram ante um invasor que tomou para si aquelas terras e construiu em seu topo um imponente edifício, uma fortaleza conhecida como "kremlin". 


Agora, sobre as terras mordóvias reinava um novo povo conhecido como "russos", e sobre o monte eles fundavam uma nova cidade, em russo "noviy gorod", em sua forma reduzida, "novgorod", assim, surgia a Terra da Baixa Nova Cidade, que seria chamada de Nijniy Novgorod, após a Grande Novgorod, uma república próspera situada em terras ocidentais.

Hoje, Nijniy Novgorod é uma cidade belíssima caracterizada pela beleza do seu relevo e de sua hidrografia. Seu Kremlin é o único em toda a Rússia que imita o relevo natural do monte no qual está situado.

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As perguntas mais estúpidas no Monte de Mamay

Cristiano Alves (blog Russificando) visita o Monte de Mamay, em Volgogrado (Stalingrado)

"Este é o Schwarzenegger?" Que perguntas são feitas por estrangeiros no Monte de Mamay
Tradução e fotos de Cristiano Alves

Na véspera do Mundial um correspondente da "AIF-Volgograd" falou com um guia que promove passeios há 40 anos para estrangeiros no Monte de Mamay (em russo: Mamayev Kurgan, em referência ao comandante da Horda) e ele ouviu as mais estranhas, estúpidas e comuns perguntas feitas pelos turistas.

Nadejda Lojechkina trabalha há mais de 40 anos como intérprete e guia de turismo no Monte de Mamay. Ela falou sobre a Batalha de Stalingrado para alemães, americanos, canadenses, cubanos, chineses, japoneses. O que os estrangeiros perguntam com mais frequência, que perguntas o guia considera mais estúpidas e quem estava interessado no tamanho do seio do Chamado da Pátria-Mãe é material da "AiF-Volgograd".

Um balde, uma pessoa

Há muitas histórias associadas a turistas alemães: "Uma vez aos pés do Chamado da Pátria-Mãe (O maior monumento em formato de mulher do mundo), um idoso alemão olhou por um longo tempo a partir de baixo, como procurando por algo através dos olhos e então disse: "foi aqui que eu perdi a minha perna". Ocorre que ele participou da Batalha de Stalingrado.

Segundo a guia, nos anos 70-80 os alemães se comportaram muito educadamente. Eles perguntaram onde seus soldados foram enterrados. O guia tentou explicar-lhes o que aconteceu depois da Batalha de Stalingrado com os corpos do falecido.

"Os corpos dos alemães, vários anos depois da batalha, foram identificados pelas placas de cintos, condecorações, medalhas, pois o exército de von Paulus era inteiramente condecorado", diz a guia. "Os alemães eram enterrados em suas próprias trincheiras, cobertos com soda cáustica e incendiados para que não houvesse infecção."

As sepulturas coletivas dos soldados soviéticos também eram cobertas por soda, era importante que a cidade, repleta de cadáveres, não contraísse infecções. "Meu pai, um membro da Batalha de Stalingrado, tenente-coronel do KGB, disse que, enquanto trabalhava com enterros na cidade: "em cada balde há uma pessoa". Os restos de soldados, quando eles eram transferidos de um lugar para outro, cabiam em um balde", - diz Nadejda Lojechkina. Os alemães mais velhos, depois de tal resposta do guia, geralmente ficavam em silêncio, mas os mais jovens indignavam-se e diziam que isso era barbárie.

Kurgan e os alemães

Ao longo dos anos, a natureza da questão alemã mudou: agora eles pedem não o enterro de seus soldados e o enterro de seus heróis, mas sim por que no Monte de Mamay não há um monumento em sua honra. Até Vutchetich (escultor soviético) se cansou dos pedidos alemães para erigir um monumento a eles. Há evidências de que Brejnev propôs construir nas rodovias das fronteiras de Volgogrado e Brest um monumento alemão no Monte de Mamayev. Ele se recusou", diz Nadejda Lojechkina.

No Salão da Glória Militar, um turista da Alemanha perguntou por que "Sonhos" do compositor alemão Schumann soavam numa altitude tão sagrada para os russos. "Expliquei que não misturamos alemães e fascistas", diz a guia. - Na verdade, muitas músicas foram consideradas para o Salão da Glória militar, mas por causa da forma especial da sala, a maioria não soou. E Schumann surgiu perfeitamente ".

Um dia, durante um passeio de Nadejda Lojechkina, um alemão disse a outro em um sussurro: "A frau faz propaganda". "Eu ouvi", lembra a guia. - Era inverno, e gosto de conduzir os alemães em excursões no inverno. Eu acho que vou te mostrar propaganda agora. A direção me deu 20 minutos de excursão, já que os alemães estavam com roupas leves. Mas ao invés disso, lentamente, lentamente, ao longo do túmulo, levei uma hora e meia. Quando eles tentaram escapar, eu disse: "E onde você para onde está correndo, você não quer prestar homenagem à memória dos soldados falecidos?" Depois eles passaram um bom tempo bebendo vodka.

Quanto isso custou?

Nadejda Lojechkina admite que é mais difícil trabalhar com os americanos. "Por exemplo, se você disser aos alemães para não ir embora, eles seguirão você. Já os americanos se você disser o mesmo, eles abrem a boca e fogem imediatamente, diz a guia. "Eles estão desinibidos até o limite".

Um americano no final dos anos 70 perguntou a Nadejda Mihailovna quanto custou todas as instalações no Monte de Mamay. "Vocês gastam bilhões com um monumento, mas não têm nada para comer, vocês não têm comida nas lojas, vocês não podem comprar nada", o turista ficou indignado.

"Eu o convidei a fazer essa pergunta a um grupo de russos que estavam bem no sopé do Chamado da Pátria-Mãe", lembra o guia. - Uma mulher de cerca de 45 anos ouviu, colocou as mãos nos quadris e disse: "Ah, ty murlo amerikanskoye!" Eu me levantei e pensei como traduzir "Murlo". Ela disse ao turista: "Ela está com raiva de você e chama de idiota americano". Imediatamente, os homens russos ao lado dele dizem: "E vamos pegá-lo beliscado. Ele imediatamente vai entender tudo ". Não houve brigas, mas aconselhei o americano a não fazer mais essa pergunta, caso contrário eles podem te bater em algum lugar ".

Neta de uma condessa, uma mulher parente distante do conde Witte, que emigrou para os Estados Unidos, perguntou a Nadyejda se "Pátria-Mãe" não é algo obsceno. "A avó dessa menina está enferrujada", diz a guia. - Como se viu, a neta escreve uma tese sobre palavrões russos e quer ouvir exemplos. Ela disse que "em Leningrado, um homem do KGB uniformizado lhe disse algumas palavras obscenas". E ela me mostra um caderno e lá está: galhos de árvores, mochilas, redes de arrasto, ferro, cara. Ele pergunta: "São estas palavras fortes?" Eu digo: "Muito. E anote a palavra mais forte: o gato de Yoshkin."

Esse é Schwarzenegger ou Stallone?

Na década de 2000, os turistas muitas vezes perguntavam: "Por que vocês russos são tão agressivos?" "Essa pergunta foi feita com mais frequência depois de 2008", explica Nadejda Mihailovna. - Continua, uma mulher acena com uma espada e ameaça o mundo inteiro, uma mulher não deve segurar uma espada nas mãos". E eu respondo: "Você já foi à Polônia? É um país agressivo ". Não, eles dizem, é democrático. Pois o símbolo de Varsóvia é uma mulher com um sabre. E então eles se calam".

Os turistas fazem perguntas francamente estúpidas. Na praça "Ficar de pé até morrer" (Russificando: na qual está o monumento com o rosto do general Tchuykov), às vezes perguntam: "Este é Stallone ou Schwarzenegger?" Um jovem dos Estados Unidos na década de 90 perguntou: "Qual é o tamanho do sutiã do Chamado da Pátria-Mãe?"


"Que grosseria", continua a guia. "Eu disse a ele que não era maior do que o da Estátua da Liberdade." Mas entre os nossos, esses personagens também existem. Há alguns anos atrás, veio um funcionário público. Eu fiz uma excursão para sua esposa e sua filha. E a garota de 16 anos, de Moscou, pergunta: "Bem, onde é que fica a mulher da bola? A gente ouve falar dessa mulher com uma bola" (em russo as palavras bola (myatch) e espada (myetch) soam parecidas).


Com grande indignação Nadezhda lembra de um garoto russo que disse sobre uma escultura soldado, morrendo com uma bandeira em suas mãos que não morreria "por causa de um pedaço de pano". Ela ficou ainda mais irritada com um russo que com desprezo disse: "Pra mim eles são vencedores... Mesmo com a bunda de fora são vencedores."

"E do que é que você não gosta?", responde a guia indignada. - E ele diz: "Não temos estradas boas, não há nada, vivemos mal, as aldeias estão morrendo. E como os alemães vivem bem. Era preciso se render. E nós viveríamos como na Europa".

Muito ofendida ficou Nadejda Lojechkina com um americano, que depois que ela falou da galhardia de Nikolai Serdyukov, que cobriu com o seu corpo a área de fogo de uma casamata, sobre Mikhail Panikha, que se atirou em chamas em um tanque, alegou que o russo não era humano. Ele argumentou isso com o fato de que todas as pessoas normais têm o instinto de autopreservação, e os russos não tinham.

Essa é outra cidade?

Um americano, durante o passeio, elogiou os moradores da cidade pelo fato de que Stalingrado foi renomeada para Volgogrado. Segundo ele, isso significa que "estamos superando o culto da personalidade e estamos caminhando para a democracia".

"Mas ninguém no exterior conhece Volgogrado, embora haja muito poucas pessoas que conheçam Stalingrado, principalmente pessoas da mesma idade", disse Nadejda Mihailovna com tristeza. - Quando conheci uma aeromoça francesa em um avião, quando ela descobriu que eu era de Stalingrado, começou a perguntar o que e como. Eu disse a ela, ela estava inspirada, disse que definitivamente iria com seu filho para a nossa cidade, para que ele pudesse ver tudo. Eu não tive forças para dizer que não há a tal cidade de Stalingrado" (Russificando: em Paris, uma estação de metrô se chama "Stalingrado").

Em novembro do ano passado, dois chineses perguntaram ao guia: "Você nos conta sobre Stalingrado e temos Volgogrado escrito no documento de viagem. É outra cidade?" "Quando eu expliquei a eles que o nome foi mudado", diz Nadezhda Mihailovna", eles disseram: "Vocês tratam com leviandade a história de vocês."

A guia diz que a escultura "A Mãe em prantos" impressiona os turistas estrangeiros. "Eu me lembro como uma idosa americana chorou aqui. Acontece que seu filho morreu na Guerra do Vietnã", diz Lojechkina. "Na maioria das vezes, todos se calam ante "A mãe em prantos", mas um turista da RDA disse: "Vocês russos devem ter ódio de nós alemães". Eu disse a ele que não era assim ".

Extraído do grupo da Artélia de Lutadores da Arte Marcial Buzu no VK: https://vk.com/artel35

domingo, 22 de julho de 2018

Filme americano que promove a russofobia é execrado na Rússia

O filme americano "Operação Red Sparrow" foi execrado na Rússia. A razão principal para isso é a overdose de russofobia (ódio antirrusso) promovido pelo filme, que muito mais parece uma peça barata de propaganda. A receita é a velha de sempre, os russos não podem ser "apenas comunistas malvados", ou apenas "ortodoxos mafiosos", eles devem ser patifes absolutamente desprezíveis capazes de matar sem motivo algum, exceto por copos de vodka!

O filme mereceu a rejeição categórica do famoso vlogueiro Yevgeniy Bajyenov (Bad Commedian), cujo vídeo teve 3 milhões de visualizações só no primeiro dia. O vlogueiro apresentou de forma sarcástica várias incoerências do filme, tal como a inexistência dos tais "pardais vermelhos", uma criação de um agente da CIA sobre um suposto programa que se passaria numa cidade que sequer existe no mapa da Rússia (que segundo o diretor de fato existe), assim como o abuso de clichês de filmes da Guerra Fria adaptados para padrões contemporâneos, por exemplo, a troca do KGB pelo FSB, a dos comunistas malvadões por ortodoxos mafiosos e tem até um personagem, antigo comediante russo, que é contratado para representar uma caricatura de Vladimir Putin (convenhamos que o humorista possui algumas semelhanças).

A melhor atuação no filme, como sugeriu o historiador e professor Klim Júkov, foi da cidade de Budapeste, na qual o filme foi gravado, que "faz o papel" de Moscou. Tal como noutros filmes americanos sobre a Rússia, há inúmeras incoerências, começando pelo nome dos personagens. A atriz principal se chama "Dominique", um nome que inexiste no onomástico de nomes eslavos. Nenhuma russa se chamaria Dominique, seria como uma brasileira se chamar "Kurmandjan" (nome da famosa rainha quirguiz). Uma das instrutoras da escola do FSB é uma mulher absolutamente fria, quase como um robô (outro clichê mais que famoso), "seus corpos não pertencem a vocês, pertencem ao Estado russo", ela diz! Mais caricato que isso, impossível. Geralmente esse discurso era comum a filmes americanos sobre a União Soviética, porém ele foi copiado e colado para filmes antirrussos.

O filme é absolutamente caricato, do início ao fim, a despeito da beleza de algumas cenas, é impossível imaginar toda russa usando um chapéu de pêlos durante o inverno. O filme nos traz, claro, um "Putin caricato", uma russa constante e permanentemente infeliz, sempre com uma expressão triste, que em sua escola de espiões aprende apenas a correr, atirar com uma pistola e depois assiste constantemente a filmes de pornografia, especialmente a BDSM e a fazer felação. Num momento em que a personagem principal falha ela é torturada, amarrada, e cada vez que sente sono tem seu corpo molhado e é bombardeada com um som ensurdecedor para não dormir, exatamente como a CIA fazia com os seus presos na Baía de Guantánamo, ou seja, os americanos acusam os russos de fazer aquilo que eles fazem em prisões ilegais espalhadas pelo mundo. Uma marca registrada do filme é que os seus personagens torturam e matam absolutamente ou quase sem nenhuma motivação.

A Rússia no filme está sempre associada à umidade infinita, frio, dor, mafiosos, pornografia, frieza, ela é cinza, e nenhuma sensação positiva pode ser associada a ela. Uma peça de propaganda dirigida a pessoas ingênuas ou desavisadas feita com o propósito de passar uma mensagem subliminar de que a Rússia é um "inferno frio" e jamais deve estar nos seus planos de descanso ou estar associada a qualquer sensação positiva. Não é de se excluir a possibilidade de que agências turísticas da Europa Ocidental ajudem na produção deste tipo de filme, afinal, quando a Rússia têm uma cidade que por 2 anos consecutivos foi considerada como o melhor destino turístico da Europa, então há que fazer mesmo uma propaganda que afaste o interesse do grande público na Rússia.






UOL: russofobia e racismo travestido de jornalismo (Nota de repúdio)

Por Cristiano Alves

De acordo com o "jornalismo" feito pela UOL a respeito da Rússia, "Em um país em que a moral aceita o racismo, mas ser gay é imoral, a Copa se torna o Mundial da intolerância". Alguns questionamentos devem ser feitos ao antijornalismo praticado pela UOL (segue no texto o vídeo publicado por esse veículo de mídia).

A matéria é muito mal feita e completamente tendenciosa, com declarações cheias de lacunas, é pouco objetiva, como quase todas as matérias da UOL. 

1- Se a Rússia é tão racista, por que iria contratar jogadores negros? O Grêmio, por exemplo, time racista no início do século XX, não contratava negros. Esses jogadores em sua maior parte não só têm jogadores negros, como os paga salários altíssimos que por vezes são muito mais altos do que os do time INTEIRO junto! Quase todos esses jogadores têm mulheres... brancas, russas e geralmente muito bonitas, e não é só jogador. Eu conheço operador de vídeo que conheceu russa por aqui e "se deu bem", estranho não, para um país supostamente "racista". Não ouço, por exemplo, relatos parecidos de profissionais que vão ao Japão ou à Inglaterra.

2- De acordo com a reportagem há "cânticos racistas", mas o que seriam esses "cânticos racistas"? Como jogadores que sequer entendem russo conseguem entender supostos cânticos racistas? Qual é a letra deles, que jamais aparece em tais reportagens que falam com tanta propriedade sobre "discriminação e racismo"? 

Ainda falando em torcedores, eu já ouvi falar de um profissional do jornalismo desportivo que ele acha um absurdo a ideia do Brasil ter que chamar um técnico estrangeiro.

Vocês acham que a torcida de time A ou B ficaria satisfeita se o Brasil começasse a manter metade ou mesmo 1/3 do seu plantel integrado por jogadores estrangeiros? Ainda que esses jogadores fossem tecnicamente melhores, isso significa negar a jogadores nacionais a chance para o seu desenvolvimento no futebol. Países como a Itália estabelecem limites para jogadores estrangeiros.

3- Segundo um dos entrevistados, ele ouviu de um amigo que ele foi atacado por que teria sido confundido com um uzbeque, porém a questão é, ele realmente foi atacado por isso ou simplesmente por que se tratava de bêbados ou marginais que poderiam atacar qualquer um, inclusive um russo?! 

No Brasil, por exemplo, há vários relatos de turistas ("carinhosamente" apelidados gringos) atacados, roubados e até mortos por marginais, por isso o Brasil é xenófobo, ou será que são apenas jornalistas espertinhos caçando reportagens sensacionalistas?

Está certo, alguém poderia dizer "mas ele não foi atacado por ser gringo, ele foi atacado por que acharam que ele tinha dinheiro", mas por esse argumento poderíamos dizer "ele não foi atacado por ser estrangeiro, foi atacado por que pensaram que ele estivesse relacionado a algum grupo do islã radical". 

4- A Rússia promove anualmente festivais internacionais como o GATINGO, sobre o qual já escreveu o blog Russificando, e lá, no festival, é possível ver mães russas com crianças negras, russos com namoradas negras, russas com namorados negros e latinos, um tanto "racista" não, para um país supostamente racista. Curiosamente, nenhum deles afirma ter sofrido qualquer ato discriminatório, o que demonstra que as matérias da UOL escolhe minuciosamente pessoas pouco informadas sobre a situação do país para promover propaganda antirussa. Por que será que a equipe da UOL nunca entrevista ninguém e muito menos publica qualquer coisa que seja sobre estes festivais? O que é que impede a UOL de fazer isso? Medo? Falta de profissionalismo? Tendenciosismo? Do que vocês têm medo?!

5- De fato há muitas pessoas que têm visões negativas sobre imigrantes da Ásia Central, o que é lamentável, mas por quê? Por que colocaram os russos para correr de lá em fins dos anos 80 e início dos anos 90. É possível encontrar muitas notícias sobre imigrantes ilegais e até legais da Ásia Central que atacam policiais, que promovem atos desgradáveis contra mulheres (o que já foi me relatado até por brasileiras), pessoas que dirigem sem responsabilidade (lembram do quirguiz que atropelou 10 mexicanos na Copa?) ou que simplesmente não se adaptam à mentalidade local, em parte devido ao fato de muitas vezes serem pessoas que vem de vilas e seguidores do Islã radical. Nem todo muçulmano é terrorista, aliás a maioria deles são pessoas ordeiras e responsáveis, porém todos os últimos terroristas que atuaram na Rússia eram seguidores de alguma vertente do Islã, inclusive o último que provocou um atentado terrorista em São Petersburgo.


Na Rússia convivem mais de 300 nacionalidades, um país "racista" jamais abrigaria tantos povos em seu território, inclusive promovendo a cultura, festas e até a religião de cada um deles. Em São Petersburgo, além das festas típicas russas (Páscoa, Natal, Yanka Kupala) pode-se ver festivais como o Johannus (finlandês), festas budistas, xamânicas, muçulmanas, além de espetáculos de companhias de dança do Cáucaso como a Erisioni, que todo ano se apresenta em mais de uma oportunidade na cidade. Em festivais como a "Ciranda da Paz" (Horovod Mira) as pessoas literalmente irão pegar na sua mão para você dançar cânticos russos com eles, russo ou estrangeiro, independente de cor da pele.

Qualquer veículo de informação que omite esses dados NÃO TEM moral para falar da Rússia ou se definir como um veículo de mídia, mas sim como uma agência de propaganda e difusão do ódio, da RUSSOFOBIA!